29 maio 2006

A desvantagem dos clubes de investimento

Por lei, o patrimônio de um clube de investimento deve, obrigatoriamente, ser constituído de no mínimo 51% em ações, podendo subir, atingindo um piso de 67% caso se pretenda pagar apenas 15% no imposto de renda. Não há limite máximo.

Quando o mercado está em grande movimento de alta esta situação nunca é problema, porém quando a tendência se inverte e a bolsa acumula rentabilidade negativa ao longo do mês, estar “preso” em uma carteira de ações pode não ser a opção de muitos investidores.

Pensar assim, não é errado, é uma questão de perfil. Aqueles que se apegam às oscilações constantes do mercado irão preferir investir individualmente, pois caso a tendência de alta se reverta em algum momento, este tipo de investidor está pronto para migrar seus recursos da renda variável para renda fixa.

Se você pensa assim é melhor mesmo não entrar em um clube, pois o seu perfil não é adequado a este tipo de produto, ou pelo menos reflita um pouco sobre a sua postura, lembre-se que este é um mercado de renda variável.

Contudo se você conhece o mercado e sabe que o investimento em ações é para o longo prazo, e que não deve se importar com o sobe e desce dos papéis, pois conhece as outras formas de ganhar dinheiro com ações, sem ser pela oscilação do preço de mercado. Seja muito bem vindo ao mundo dos Clubes de investimentos.

Um aspecto importante sobre as mudanças no perfil dos investidores é o amadurecimento de sua postura diante de situações de desvalorização dos preços das ações. Quando negociamos com ações, é importante recordar que as principais formas de ganho são por meio da propriedade e da comercialização.

Onde os ganhos por meio da propriedade são resultantes da manutenção em carteira das ações de empresas lucrativas que distribuem seus resultados aos acionistas (dividendos e juros sobre capital próprio). Estes ganhos não são vinculados ao desempenho dos preços das ações no mercado, mas sim, ao desempenho da empresa em seu segmento.

Já os ganhos resultantes da comercialização referem-se à diferença de preços entre a compra e venda das ações. Um exemplo é quando compramos um papel por R$ 100,00 e o vendemos por R$ 110,00. Neste caso houve um ganho de 10% sobre cada ação negociada. Esta é a forma mais conhecida de se obter lucro com as ações, mas como vimos, não é a única. O problema da busca por este tipo de ganho é quando as expectativas de alta não se concretizam e ocorrem perdas resultantes da venda das ações a preços abaixo dos comprados.

Os clubes de investimento estimulam os ganhos por meio da propriedade, e muitos até reinvestem os lucros advindos desta posse em novas ações, aproveitando-se desta forma de um momento de instabilidade no mercado acionário e multiplicando seus ganhos no futuro.

Nos clubes costuma-se analisar as empresas e não o comportamento do mercado, os fundamentos das empresas são a referência e por isso representam um porto seguro, pois a diferença entre o preço negociado em bolsa e o valor real da empresa é um aspecto temporal que no médio prazo tende ao equilíbrio.

Além disso, os investidores que estão chegando ao mercado acionário encontram uma nova realidade, pois o mercado se aperfeiçoou muito nos últimos anos, tornando-se mais seguro e transparente.

Mas não se esqueça: o risco do investimento de um clube é correspondente ao do mercado acionário, ou seja, o produto exige perfil adequado para suportar as oscilações do mercado. O clube, em momento algum, pode prometer alguma rentabilidade ou usar o passado como referência para projetar crescimento futuro.