13 junho 2006

Sociedades em Promoção

Aproveitando-me do histórico recente do mercado, onde o Índice Bovespa acaba de recuar até a margem do primeiro pregão do ano, gostaria de discutir hoje pelo menos dois indicadores básicos da análise fundamentalista das empresas que são: a razão Lucro por Ação (LPA) e a razão Preço/Lucro (P/L).

O LPA é uma conta bem simples, soma-se o lucro líquido da empresa nos últimos doze meses, na verdade, últimos quatro trimestres, pois a divulgação do resultado é trimestral. De posse desse lucro líquido total, dividimos este valor pelo número total de ações emitidas pela empresa e encontramos a razão LPA, que indica o quanto de lucro líquido cada ação da empresa está atrelada.

Por exemplo se nos últimos quatro trimestres o lucro líquido da empresa XYZW foi de 2,2 2,4 2,5 e 2,4 milhão de reais a soma é igual a 9,5 milhões. Se a empresa possuir 380 mil ações, dividimos 9.500.000 por 380.000 e encontramos R$25,00 por ação. Este é o valor do LPA e quanto de lucro líquido cada ação da empresa corresponde.

É evidente que quanto maior o lucro maior será o LPA.

Já a razão Preço/Lucro (P/L) é a divisão do valor da cotação pelo LPA. Por exemplo, a cotação da empresa citada anteriormente é R$100,00, logo o seu P/L será 100/25, o que resulta o total de 4, a unidade do P/L é dada em anos, logo são de 4 anos o tempo necessário para se obter o retorno do investimento.

É como se você comprasse um imóvel por R$100.000,00 (cotação) e cobrasse um alguel anual de R$25.000,00 (Lucro Líquido), fica evidente que você retornará ao capital original no final de quatro anos. Obs.: Se você achar este imóvel à venda me comunique, pois negócio assim com imóveis não se vê todo dia! Já com ações não é raro vermos P/L em torno de 3 a 5.

É justamente este o motivo deste artigo, a recente queda das cotações da bolsa de valores brasileira proporcionou a compra de grandes ações, isto é, grandes oportunidades de negócio e de sociedade a um P/L bem baixo.

A lucratividade de uma Usiminas, Petrobras, Vale do Rio Doce, Bradesco, etc, não acompanha as cotações do mercado, logo quando o preço destas ações despenca, como aconteceu ao longo do último mês, e acredito que deverá continuar acontecendo por algum tempo, a razão P/L cai proporcionalmente, o que reflete um tempo menor para o retorno dos investimentos.

Infelizmente o pequeno investidor é muito influenciado pelos "ventos do mercado", onde geralmente compra-se já na exaustão de um movimento de alta e vende-se no deflagrar do movimento de baixa, muitas das vezes concretizando um prejuízo.

Com um P/L baixo você terá um retorno do seu investimento em menor tempo que em uma razão P/L alta, logo o momento oportuno para se tornar sócio das grandes e melhores empresas é quando ocorre a desvalorização momentânea de suas cotações.

Porém é fundamental atentar para o desempenho geral da empresa, se o histórico de crescimento das vendas e dos lucros não atende as expectativas, nada adianta um P/L mais baixo que o habitual, na verdade, o próprio mercado já desconta o fraco desempenho da empresa no valor de suas cotações.

Procure entender que as ações são um vínculo societário entre o investidor e a empresa, selecione cuidadosamente as ações que você deseja comprar, e se sairá muito melhor que aqueles que só seguem as ações da moda, que na maioria das vezes não sabem nem o que ela produz.